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Como precificar reparo de celular sem trabalhar de graça

O método que usamos na bancada: a fórmula, por que olhar só a peça te quebra e onde está o verdadeiro valor do seu serviço.

Carlos

Por Carlos · Financeiro e gestão do negócio

· atualizado em 25 de junho de 2026

Como precificar reparo de celular sem trabalhar de graça

Precificar reparo de celular é menos sobre a peça e mais sobre o seu trabalho. O método que usamos na bancada é direto: dobrar a peça, somar a taxa da maquininha e o frete. O erro que quebra técnico iniciante é precificar pelo componente — quando o valor real está na mão de obra. Vou destrinchar a fórmula abaixo.

Como se calcula o preço de um conserto de celular?

Tem um método, e ele é simples o bastante para você aplicar hoje. Na nossa bancada, a conta de partida é esta:

  1. Dobre o valor da peça.
  2. Some cerca de 10% referente à taxa da maquininha.
  3. Adicione R$ 30 a 40 de frete da peça.

Um exemplo fecha a ideia. Peça de R$ 100 → você cobra na faixa de R$ 250 a 280. Repare que não é “peça mais um lucrinho”: o valor da peça é só a base sobre a qual o preço se monta. O resto cobre o que torna o reparo viável — a taxa que o banco te tira, o custo de trazer a peça e, principalmente, o seu trabalho.

Por que dobrar, e não somar uma margem fixa? Porque dobrar embute a mão de obra de forma proporcional ao tipo de reparo. Peça mais cara, normalmente reparo mais elaborado. Mas existe um caso que escancara o limite dessa lógica — e é onde a maioria erra.

Qual o maior erro ao precificar um reparo?

Olhar só para o preço da peça. Esse é o erro que faz técnico bom trabalhar quase de graça.

Pega o exemplo mais didático que temos na bancada: a troca do conector de carga. A peça custa por volta de R$ 5. Cinco reais. Se você precificasse pela peça — “dobro de R$ 5 dá R$ 10, cobro R$ 20 pra ter folga” —, estaria entregando seu tempo, sua bancada e seu conhecimento por trocados.

Na prática, esse serviço fica em torno de R$ 120. A peça é quase irrelevante no preço. O que o cliente paga é a abertura do aparelho, a dessoldagem e ressoldagem com cuidado, o teste, a garantia de que o celular vai voltar a carregar. Ele paga o reparo, não o pedacinho de plástico e metal.

Esse é o princípio que você precisa internalizar: a mão de obra é onde está o valor. Em reparos como tela, câmera ou bateria, a peça pesa mais no custo (faixa de R$ 250 a 400) e a mão de obra pesa menos proporcionalmente — ali a regra de dobrar funciona bem. No conector, é o oposto: peça barata, serviço caro. Em todos os casos, o que você está vendendo é a sua capacidade de resolver, não a peça.

A fórmula serve para qualquer reparo?

Como ponto de partida, sim. Como número final fechado, não — e é importante entender por quê.

A fórmula (dobrar a peça + 10% + frete) te dá um piso técnico: o preço abaixo do qual você começa a perder dinheiro. Mas o preço que você de fato cobra se ajusta a duas variáveis que mudam de lugar para lugar:

  • Região. O custo da peça e do frete muda conforme o seu fornecedor e a sua localização. Quem compra perto de um polo de peças tem um custo; quem depende de frete longo, outro.
  • Concorrência. O que o cliente da sua região está acostumado a pagar e o que a assistência da esquina cobra entram na conta. O método te protege de cobrar de menos; o mercado te diz até onde dá para subir.

Por isso o exemplo da peça de R$ 100 vira uma faixa (R$ 250 a 280), e não um número cravado. A fórmula é o esqueleto. A calibração por região e concorrência é a carne. Não copie o preço do vizinho às cegas, nem ignore o mercado achando que sua tabela vale em qualquer cidade — faça a conta e ajuste.

E quando o reparo não compensa?

Faz parte do método saber quando dizer não. Nem todo aparelho deve ser orçado como reparo definitivo.

O caso clássico na nossa bancada é o aparelho que caiu na água. Mesmo com um reparo bem feito, ele costuma dar retorno — volta com defeito — e dificilmente fica 100%. Aqui, precificar como se fosse um conserto comum é uma cilada para os dois lados: você assume um trabalho que pode não segurar a garantia, e o cliente paga por uma promessa que a física do dano não permite cumprir.

A decisão honesta é explicar isso de frente. Avaliar, ser claro sobre o risco e deixar o cliente decidir com a informação na mão vale mais — para a sua reputação e para o seu bolso — do que cobrar por um milagre que não vai acontecer.

Onde a precificação entra no negócio como um todo

Precificar bem é uma peça do quebra-cabeça, não o quebra-cabeça inteiro. A fórmula resolve quanto cobrar por reparo. Ela não resolve quanto custa montar a estrutura, nem qual renda isso vira no fim do mês — são contas diferentes, que se apoiam umas nas outras.

Se a sua dúvida é o investimento inicial — bancada, ferramentas, o que você precisa para começar —, isso está detalhado em quanto custa montar uma assistência de celular. Se a pergunta é sobre a renda que a profissão gera ao longo do mês, veja quanto ganha um técnico de celular.

Aqui ficamos no preço por serviço, que é a base de tudo: é dele que sai a margem que paga o investimento e vira renda. Acerte a precificação primeiro. Cobrar pelo seu trabalho — e não pela peça — é o que separa quem tem um negócio de quem tem um hobby caro.


Escrito por Carlos — sócio financeiro do Grupo TNX e consultor financeiro estratégico. O método de precificação e os valores citados vêm da operação real das duas assistências da TNX (Penha e Vila Matilde), em 2026. Valores em faixa, sujeitos a variação por região, esforço e concorrência.

Perguntas frequentes

Como calcular o preço de um conserto de celular?

O método que usamos é simples: dobre o valor da peça, some cerca de 10% pela taxa da maquininha e adicione R$ 30 a 40 de frete. Uma peça de R$ 100, por exemplo, vira um preço final na faixa de R$ 250 a 280. É um ponto de partida que varia por região e concorrência.

Por que não posso só somar peça mais um pouco de lucro?

Porque o que o cliente paga não é a peça — é o reparo. Num conector de carga a peça custa cerca de R$ 5 e o serviço fica em torno de R$ 120. Se você precificasse pela peça, trabalharia de graça. O valor está na mão de obra, não no componente.

Quanto cobrar pela troca de um conector de carga?

Na nossa bancada, a peça do conector de carga sai por volta de R$ 5 e o serviço fica em torno de R$ 120. É o caso mais claro de reparo em que quase tudo é mão de obra. Cobrar pelo trabalho, e não pela peça, é o que mantém esse serviço viável.

Existe reparo que não compensa fazer?

Sim. Aparelho que caiu na água é o caso clássico: mesmo com um bom reparo, costuma dar retorno e dificilmente fica 100%. Nesses casos, vale ser honesto com o cliente sobre o risco em vez de prometer um conserto definitivo que a peça não garante.

O mesmo preço serve para qualquer cidade?

Não. A fórmula é o ponto de partida, mas o preço final se ajusta por região e pela concorrência local. O custo de peça e frete muda conforme o fornecedor, e o que o cliente da sua região aceita pagar também. Use o método como base e calibre pelo seu mercado.

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